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A energia sexual no Kung Fu

A cultura chinesa, exótica por natureza, esconde curiosidades ainda guardadas por muitos mestres taoistas e budistas. Muitos deles responsáveis pela transmissão da essência de uma das mais antigas artes de combate, popularmente conhecida pelo nome kung fu.

 

A arte do kung fu, que pode, dentre outros, significartrabalho duroaquele que transforma seu trabalho em arte, é alicerçada por princípios curiosos e intrigantes aos olhos de muitos povos. Visto apenas pelo aspecto físico e marcial pela maioria dos brasileiros, a prática do kung fu esconde na repetição constante de cada movimento princípios didáticos não sustentados pela cultura ocidental. Enquanto o ocidente visa a lapidação da força puramente muscular, os mestres chineses direcionam seus alunos pelo caminho do meio, buscando o equilíbrio do homem com o universo. Os resultados obtidos pelos adeptos da arte marcial chinesa se devem à prática de pequenos hábitos capazes de gerar grandes feitos.

 

Dentre esses hábitos, podemos citar a não ingestão de água ou outros líquidos durante ou alguns minutos depois da prática dos vários exercícios chineses, costume ignorado pelos praticantes de musculação e ginásticas comuns. Para o ocidente, que visa a força externa, muscular, o ato de ingerir água durante as aulas é essencial. Já para os mestres chineses, que buscam o equilíbrio energético, harmonização do chi (hei, no dialeto cantonese), ingerir líquidos desandaria todo o processo de canalização da energia vital. Permite-se a ingestão de líquidos na forma de chás, sem açúcar e numa temperatura equivalente ao calor do corpo. Caso não tenha chá, melhor não tomar água ou sucos energéticos durante a prática. É necessário aguardar alguns minutos para só então ingerir tais líquidos. 


Outro costume intrigante para o ocidental é quanto à pratica sexual. Atrapalha ou não o desempenho do atleta? O ato é importante antes, ou depois? Para os antigos mestres chineses, o ato sexual deve ser equilibrado, assim como tudo na vida. A Constância depende do ritmo de vida de cada praticante, da sua alimentação, das atividades diárias etc.

 

Para os chineses, o sêmen (zing – energia sexual, esperma, essência) é a essência da vida, é um líquido valioso que não deve ser derramado ou desperdiçado à toa. Como uma pérola líquida, deve ser usado em momentos especiais. A expulsão do sêmen carrega consigo grande parte da energia masculina, responsável pela vitalidade e pelo brilho dos olhos. A perda dessa energia reflete seriamente no desempenho marcial do praticante de kung fu. Os antigos mestres acreditam que na hora do ato sexual o homem se torna vulnerável tanto no aspecto físico como no psíquico-espiritual. Conta o mestre Lo Siu Chung que os mestres antigos só voltavam às práticas do kung fu depois de decorridos dois dias do ato sexual, e que após qualquer prática de kung fu esperavam pelo menos 1 hora para praticarem sexo.

 

Contam alguns que a interrupção do coito (não ejacular) era praticado pelos mestres taoistas com o intuito de manter a energia no baixo ventre. Essa energia é responsável pelos grandes feitos produzidos pela prática constante do Qi Gong (Chi Kung), método amplamente usado na prevenção e cura de muitas doenças.

 

Erasmo Deterra