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Vida e Kung Fu

“O universo das artes marciais e da família kung fu é um dos meios mais fascinantes e realizadores de se viver”

Leandro Amaral

Poderíamos resumir a vida dos seres humanos em cinco fases: nascimento, crescimento, reprodução, envelhecimento e morte. Durante este período, brincamos de carro ou boneca, estudamos e/ou trabalhamos, fazemos amizades, temos relacionamentos amorosos, nascemos descendentes, a vida muda, o trabalho aumenta, a idade chega e com ela todos os desgastes, as dores e as boas recordações.


Então eu te pergunto: valeu a pena? Você fez o que deveria ter feito? Será que existia uma forma melhor de fazer as coisas, mas por algum motivo não foram feitas, ou não foram bem executadas.


Nunca saberemos o dia em que vamos partir deste mundo, o que nos resta é fazer valer a pena, sorrir, trabalhar, adquirir novos conhecimentos, aplicá-los e transmiti-los. Muitas pessoas têm como seu Norte a religião, já outros são ateus, há quem siga os caminhos da sua família tradicional. Outros buscam algum tipo de arte ou esporte. Mas existem também aqueles que buscam a arte marcial, formam novas amizades e estas se tornam uma segunda família. Mas então, quem está certo? Acredito que a verdade é que todos estão certos, desde que seja extraída a porção boa disso tudo.


Na escola de arte marcial, aprendemos movimentos corporais, “socos, chutes, defesas...”. Todos trabalhados artisticamente, mas com o principal objetivo de ser realmente efetivo, caso seja necessário usá-los. Com o passar do tempo e com um treino dedicado, com afinco e assiduidade, esses movimentos passam a ficar automatizados no sistema neuromuscular, e serão aplicados sem que realmente seja necessário pensar sobre ele. A combinação da frequência nas aulas, da participação [vivência], do esforço físico, do pensamento, raciocínio lógico, da consciência corporal, entre outros, poderão desenvolver no praticante a autoconfiança, a disciplina, o respeito, a educação e a honra (para citar alguns dos benefícios, que servirão como “equipamentos técnicos, ou ferramentas” do seu próprio ser, que será levada ao trabalho, a escola e utilizadas para resolver todos os tipos de problemas).


Estudar Wing Chun Kung Fu é aprender a lutar, aprender uma filosofia, um estilo de vida e aprender uma arte. Não é só um estilo de arte marcial. Wing Chun Kung Fu está muito além de “socos e chutes”, é um meio de vida e pode ser aplicado em toda e qualquer situação do cotidiano; seus princípios conduzem o praticante a ser simples, focado, objetivo e a otimizar o tempo, bem como produzir o máximo possível em um curto tempo. 


Diferente do que estamos acostumados, aprender Wing Chun Kung Fu não depende só do desejo pessoal. Não basta dizer: ‘eu quero aprender Kung Fu’, e está resolvido. Antes de tudo, é preciso haver ligação entre o sifu (mestre) e o aluno. O Kung Fu é patrimônio de uma família, e para aprendê-lo (compreendê-lo) é necessário pertencer a ela e ter uma vivência em família Kung Fu. Na grande maioria das vezes, devido aos nossos costumes ocidentais, primeiro escolhemos a arte, para depois o mestre; isso não quer dizer que seja inválido, é uma forma de aproximação e também faz parte do aprendizado, mas quando o momento chega percebe-se que a família é tão quanto ou mais importante que o estilo.


Sendo assim, existem diversos caminhos para chegar a um objetivo, o universo das artes marciais e da família kung fu é um dos meios mais fascinantes e realizadores de se viver – formar novas amizades, conhecer e admirar novas pessoas, superar os próprios limites, ter mais autoconfiança, prevenir doenças, desenvolver estratégias para solucionar os problemas da vida, tudo isso e muito mais faz parte desde mundo das artes marciais.

 

Leandro Amaral Lopes - Médico generalista e da saúde da família, graduado pelo Instituto Metropolitano de Ensino Superior – MG. Empresário e praticante de Wing Chun Kung Fu.